Há pouco tempo ouvi um conto sobre dois vizinhos, amigos de outrora que se tornaram inimigos. Viviam separados por um rio, que na verdade nunca fora dificuldade para que convivessem ou celebrassem as vitórias e alegrias. O rio que separava as suas propriedades nunca fora motivo para que se distanciassem e não se apoiassem nas derrotas e tristezas. Mas, em se tratando de ser humano, tudo é possível. Por uma palavra mal dita, uma ação incompreendida, um silêncio reprovador, seja lá o que for, somos capazes de criar muros intransponíveis. Assim aconteceu com nossos amigos deste conto. Já não se permitiam mais a comunicação aberta, já não queriam mais a presença, já não somavam mais cumplicidade. O rio que, desde a infância de ambos, era fonte de diversão, essencial para alimentação, inspiração para o repouso, agora era o obstáculo quase perfeito. Podia impedir que o seu contrário chegasse ao outro lado. Quase perfeito, pois ainda permitia que se olhasse, que buscasse...
A nova era prevista para encaixar-se no calendário festivo dos anos 2000/2001 parece ter sido agendada para outro momento. O novo mundo está em trabalho de parto e vai nascer. Finalmente Chronos estaria deixando espaço para Kairós . Este primeiro, preso ao desejo de estabilidade, prefere devorar os seus filho, segunda a mitologia grega, para manter o seu status. Dito de outra forma, manter tudo como está. Porém, uma reedição de algo do passado chega para marcar o futuro. Uma pandemia golpeia a humanidade como em outros tempos e nos oferece a oportunidade de recomeçar, sem os condicionamentos e correrias impostas pelas agendas ou relógios. O tempo oportuno ou kairológico vem como uma pausa necessária para a reorganização e o pensar diferente. As incertezas são companheiras da ansiedade. O não poder cumprir com os planos ou sonhos programados causa a terrível sensação de vazio. Isso, talvez, porque colocamos nossa confiança nos projetos e compromissos. O novo está acont...
Hoje cheguei ao Mirante. Revisei algumas fotos, comentários e textos. Constatei que havia me esquecido de algo... Havia me esquecido de tirar um tempo para cruzar a porta entreaberta e olhar com a alma aquilo que é próprio da vida. A foto foi feita em Santa Cruz Cabrália-BA... já faz algum tempo.
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