Com o passar do tempo vou descobrindo o que significa o preço de uma escolha. Longe da maturidade, mas com os pés assentados na realidade, vou colhendo os frutos das decisões, algumas livres, outras nem tanto. A cadeia que nos envolve a todos, nos faz corresponsáveis em nosso agir, sobretudo se agimos em favor ou em nome de outros. Decidir é muito mais do que excluir uma opção para abraçar a outra. Decide-se com responsabilidade quando se leva em consideração não somente o sujeito que escolhe, mas a todos os envolvidos na escolha. O simples fato de dizer sim ou não assume conotações graves, pois no sim ou no não estão embutidos anseios e descréditos. Era muito mais fácil escolher nos tempos da ingenuidade. Porém entre liberdade e condicionamentos, o peso maior deve estar na capacidade de viver o direito de decidir. A escolha por cultivar expectativas alheias é uma eterna escravidão, pois de forma voraz, sempre exigirão mais. Enganar-se acreditando qu...
Volto a escrever sobre o tempo . Tão precioso que não deve ser desperdiçado, dizem alguns. Pelo contrário, deve ser perseguido, dirão outros. Tão forte que pode até escravizar, mas pode ser também um grande mestre. Lembro-me dos contos da antiga catequese, onde um deles dizia que um menino foi perguntado sobre o que faria se soubesse que em pouco tempo iria morrer. E a resposta da meninada era: "Vou correr prá igreja para rezar". E a surpresa vinha quando o contador de histórias nos revelava a resposta edificante do menino: "Eu vou continuar brincando, fazendo o de sempre!" Para nosso espanto, como poderia agir assim? As histórias se repetem ou se complementam? A histórias retratam a vida ou a vida imita os contos? Em minha atual missão, vivo entre "meninos" que a cada dia contam o tempo de maneira diferente da nossa. Eles sabem que esse nosso tempo está se encurtando a cada dia, mas nem por isso deixam de fazer o de sempre! Vivem a tranquili...
A cada manhã o mistério da vida se renova. Daqui, de onde escrevo, posso sentir o frio teimoso que não quer ceder ao sol que, timidamente, vai vencendo a barreira de nuvens. O bem-te-vi incansavelmente canta, ou quase grita. Eu sei que ele me viu, pois estou vivo. É mais um dia que se inicia. O orvalho ainda gotejante das folhas faz pensar no asseio da natureza, que se prepara para mais um dia. O canto, as vozes, o cheiro do café sendo coado, meu Deus, o mundo acordou! Acordou do descanso merecido. Acordou da noite fria e escura... oxalá fosse assim. Quantos acordaram e quantos deixaram de acordar? Quantos viram a luz e quantos a tiveram apagada? É mais um dia, mais um presente de Deus.
Comentários
Postar um comentário
Seu comentário é muito bem vindo! Por favor, deixe o seu nome para que eu possa identificá-lo(a).